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A greve geral parou uma parte dos trabalhadores. Muitos, dizem sindicatos; os mesmos de sempre (e inexpressiva), dizem os patrões e Governo. Certo é que fica já registada a quinta greve geral conjunta da UGT e CGTP. Transportes, escolas, hospitais tiveram constrangimentos significativos com a paralisação que desembocou em várias manifestações e com desacatos junto da Assembleia da República. |
Não se sabendo o impacto real — Armindo Monteiro, da CIP, admitiu que só no final do mês com o processamento de salários se saberá o real efeito da greve geral –, o Observador foi analisar alguns dados que podem indicar se o país parou ou se continuou a movimentar-se. Um desses indicadores é o consumo de energia que se manteve ao mesmo nível, já que das grandes indústrias sabemos que houve pelo menos um grande consumidor que parou — a Autoeuropa. De resto, numa análise para o Observador por parte da Reduniq concluiu-se, também, que os pagamentos digitais aumentaram em alguns setores como cabeleireiros e lavandarias, ainda que tenham recuado no número global de transações. Num outro olhar sobre a mobilidade das pessoas em Lisboa e Porto, em particular, verificou-se, segundo dados da Ipsos Apeme, que dois milhões de pessoas alteraram a sua rotina de deslocações, tendo muitas optado por ficar em casa ou utilizado carro. O número de viagens nas autoestradas da rede da concessão principal da Brisa, contabilizado através da passagem em zonas de portagem, também caíram, com algumas franjas horárias em Lisboa e Porto a sentirem, no entanto, maior frequência. |
Conforme o Observador verificou no próprio dia da greve geral alguns trabalhadores do setor privado optaram por ir trabalhar. Mas em outros setores, em particular, nos transportes (públicos) a paralisação aconteceu em escala, acabando por funcionar os serviços mínimos (que não foram decretados no caso do Metro de Lisboa). Nos privados houve reporte de danos infligidos a quem trabalhou. Houve ainda queixas em relação à intervenção sobre os piquetes de greve, que, por sua vez, também foram contestados em alguns casos. |
Com maior ou menor paragem, esta greve conjunta visou protestar contra a proposta do Governo para as mudanças na lei laboral, com medidas que motivaram já polémica. Algumas até já mereceram recuo por parte do Governo que voltou, entretanto, à mesa das negociações. A UGT foi recebida esta semana pela ministra do Trabalho, Rosário Palma Ramalho, tendo saído dessa reunião assinalando otimismo, partilhado pelo Executivo. Depois da greve, o líder desta central, Mário Mourão, indica ser importante, agora, “pôr os pés no chão” e “assumir o compromisso para dialogar e negociar para que nenhuma das partes se sinta defraudada”. A CGTP pediu uma reunião com o primeiro-ministro Luís Montenegro que vai acontecer a 7 de janeiro. E há reunião da concertação social a 14 de janeiro. Montenegro, que em vésperas de greve geral acenou com maiores aumentos do salário mínimo nacional (que vai ficar nos 920 euros em 2026), acabou a garantir, já depois da greve, que não tinha relação uma coisa com a outra. Já depois da greve ficou também traçado o aumento do subsídio de refeição para a função pública em 2026, em 15 cêntimos. |
Eleições na mutualista Montepio com lista única para administração, mas oposição na assembleia de representantes |
Houve tempos em que umas eleições na Associação Mutualista Montepio Geral suscitava grandes movimentações. Agora parece um processo mais pacífico. As eleições deste ano tem uma única lista concorrente ao conselho de administração — a encabeçada por Virgílio Lima. Sem oposição, vencerá e poderá avançar com o seu programa de compra de casas, com um custo anual de 50 milhões. Os associados terão, no entanto, duas listas para escolher para a assembleia da representantes, que é como se fosse um parlamento de 30 membros. A lista A, encabeçada por Vítor Milícias, tem a concorrência da lista B, cujo cabeça de lista é Tiago Mota Saraiva, que promete ser mesmo oposição. Uma lista jovem para preparar o futuro da Mutualista, diz ao Observador. Virgílio Lima, também ao Observador, vai dizendo estar satisfeito por ter tirado dos holofotes mediáticos a mutualista. |
Barcos sem baterias levam a buscas na Transtejo no dia em que comemora 50 anos |
O caso era conhecido e o Observador foi noticiando ao longo dos anos. Foram comprados, pela Transtejo, 10 barcos elétricos, mas sem as respetivas baterias. Quando a empresa que faz a travessia do Rio Tejo pediu autorização ao Tribunal de Contas para comprar, de forma autónoma, as baterias recebeu um “não”. E ainda viu o Tribunal de Contas suspeitar de ilegalidade que remeteu para o Ministério Público, o que levou, na altura, à demissão do conselho de administração da empresa, liderado por Marina Ferreira. Conforme o Observador noticiou, as baterias acabariam compradas ao mesmo fornecedor — os estaleiros espanhóis Astilleros Gondán. Tudo isto aconteceu em 2023. Dois anos depois e no dia em que a Transtejo Soflusa comemora o 50.º aniversário, a Polícia Judiciária entrou pelas instalações para buscas referentes a este processo, abrangendo suspeitas anteriores — a própria compra dos barcos elétricos em 2020, a compra de baterias mas também a alegada, e segundo denúncias recebidas, “sistemática violação das regras de contratação”, até na manutenção dos navios. A Transtejo, recordando fazer 50 anos, opta por recordar que os factos reportam-se a períodos anteriores à chegada da atual administração, que aconteceu em outubro de 2025. O Ministério do Ambiente, que teve nesses anos a tutela da empresa, também terá sido alvo de buscas, segundo a CNN. |

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A EMPRESA |
A Fórmula 1 vai voltar a Portugal em 2027 e mantém-se no circuito mundial durante, pelo menos, dois anos. Um regresso que acontecerá seis anos depois da última corrida da prova-mãe do desporto automobilístico em Portugal, que aconteceu nos anos de 2020 e 2021, anos da pandemia e que fecharam pistas do circuito da Fórmula 1, obrigando à escolha de alternativas. Portimão foi a escolha nesses dois anos e será agora aí que as equipas da Fórmula 1 vão aquecer os motores e correr em 2027 e 2028. O Governo garante que os custos serão inferiores às vantagens que serão conseguidas, nomeadamente ao nível de impostos arrecadados. O retorno esperado cifra-se em 140 milhões por cada ano, recebendo, em cada edição, cerca de 200 mil pessoas. |
Luís Montenegro já tinha pré-anunciado a pretensão de acolher novamente provas da Fórmula 1 em Portugal na polémica festa do Pontal. Agora é confirmada a inclusão de Portugal nos calendários para 2027 e 2028. O turismo do Algarve aplaude. O Autódromo do Algarve (que escapou à falência em outros tempos), que tem capacidade máxima para 95 mil espetadores (nos anos da pandemia só permitiu 25/26 mil), tem um circuito que, segundo o presidente disse ao Observador, fez a diferença. A pista de 4,684 quilómetros de Portimão “é muito apelativa”. “É uma pista muito diferente das outras. Tem muitas elevações, umas curvas muito características” que contribuem para o “espetáculo televisivo” e para o “desafio de pilotagem”. Nos dois anos que se realizou em Portimão o vencedor foi Lewis Hamilton, a correr, ainda, pela Mercedes, mas que em 2021 já viu Marx Verstappen a ganhar o campeonato. A história de Portugal na Fórmula 1 tinha muitos anos e estava noutras localizações. Foi no Estoril, em 1985, que Ayrton Senna ganhou o seu primeiro Grande Prémio, pela Lotus, um ano depois de Niki Lauda se ter sagrado campeão nas curvas da pista da linha. O Estoril, para os anos de 2027 e 2028, não foi opção. |
Assim termina mais uma newsletter de economia que espero já tenha subscrito. Obrigada por acompanhar a informação económica (e todas as outras) no Observador. Até para a semana (excecionalmente nas próximas duas semanas receberá a newsletter na terça-feira). Até lá. |
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