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Valerá a pena insistir na duplicidade de critérios do Bloco de Esquerda? No entanto, o espectáculo nunca parece deixar de surpreender. Na última semana, o assunto foi a violência doméstica. A doutrina do Bloco era clara: todas as denunciantes têm de ser apoiadas, todos os suspeitos devem ser desde logo vexados e castigados. Mas eis que um deputado do Bloco é acusado de espancar a companheira. A partir desse momento, passou a prevalecer a “presunção de inocência” e o denunciado tornou-se a “vítima”, e como tal com todo o direito a ser acarinhado e até festejado.

Não é, claro, a primeira vez que uma reviravolta destas acontece. Na especulação imobiliária, também era uma vergonha fazer dinheiro com a compra e a venda de casas. Não havia desculpa para a especulação sobre um “bem essencial”. Até ao momento em que um vereador do Bloco foi apanhado a realizar mais-valias de milhões com edifícios do Estado adquiridos, aliás, com empréstimos do banco do próprio Estado. A partir daí, começaram a valer a lei e o mercado: se não é ilegal, tudo está bem. No discurso de ódio, a mesma coisa. Era inaceitável qualquer linguagem que pudesse ser interpretada como um incitamento à violência. Até ao momento em que um assessor do Bloco apelou explicitamente à “morte do homem branco”. Nesse instante, todas as  expressões, por mais violentas, tornaram-se metafóricas e perfeitamente legítimas no debate público.

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