A queda de Cabul na mão dos talibãs ocorreu muito mais rapidamente do que muitos previam. A saída das tropas norte-americanas do Afeganistão mais se assemelhou à fuga delas do Vietname do que a uma retirada programada e ordeira. Um péssimo serviço ao combate contra o terrorismo e a criação de um perigoso foco de instabilidade na Ásia Central, que se poderá repercutir noutras regiões do planeta.

É um facto que um grupo extremista islâmico obrigou as tropas dos Estados Unidos e da NATO a retirarem-se apressadamente do Afeganistão. Se os talibãs conseguiram isso, porque é que outros movimentos radicais não conseguirão o mesmo noutros países islâmicos? Este exemplo pode ser ainda mais contagioso entre as camadas jovens, as mais atingidas pelo desemprego, a corrupção e a falta de perspetivas nos seus países.

No que à União Europeia diz respeito, o gravíssimo erro estratégico norte-americano e da NATO poderá reanimar ondas de atentados terroristas e de imigração ilegal.

No próprio Afeganistão, os Estados Unidos e a NATO traíram aqueles que confiaram na sua política e, agora, são abandonados à sua sorte, que não deverá ser nada invejável. Os talibãs, não obstante todas as promessas, já deram provas suficientes de fanatismo, intolerância e de vingança medieval.

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