Rádio Observador

Corrupção

E da crise do PS? Não se fala? /premium

Autor
  • Sebastião Bugalho
596

O PS tem de decidir se quer ser um partido verdadeiramente ativo contra a corrupção ou um partido cujo silêncio não significará mais do que complacência perante a sua própria identidade.

Na semana em que dois dirigentes do PS são detidos por corrupção, um ex-secretário de Estado do PS é condenado por corrupção e se sabe que um ex-líder do PS escondeu um ruinoso empréstimo de 350 milhões de euros a Joe Berardo, o regime decide discutir o quê? A «crise» do centro-direita, meu caro leitor, a «crise» do centro-direita.

Não há maneira de observar isto sem sentir uma profunda vergonha – como cidadão, principalmente. Que a direita enfrenta grandes desafios não é novidade para ninguém. Que Marcelo Rebelo de Sousa não resiste a fazer análise política também não. Mas o modo como a praça pública se deixou levar por esse cósmico tópico que é «a crise do centro-direita» diz muito sobre a inversão de prioridades que o país vive.

Em democracia, há vencedores e derrotados – é assim. Se lhe quiserem chamar «crise», estejam à vontade. Mas um partido que numa semana banalizou a corrupção no desempenho de funções e normalizou a mentira como tática parlamentar não está também – e mais gravemente – em «crise»?

Numa sociedade devidamente escrutinada, e com um pingo de dignidade, não era possível o partido de governo andar a vender-se como força política anti-corrupção num dia para recusar comentar os casos de corrupção que assolam o seu poder local dois dias depois. Já era um tanto abusivo os novos porta-vozes da ética na política serem os antigos defensores de José Sócrates – sendo que um deles até chegou a presidente da Assembleia da República –, mas no país em que o esclarecimento sobre casos de nepotismo é proferido por Carlos César, de facto, não há limites para o abuso. Esta semana, foi isso que se viu.

O PS tem de decidir se quer ser um partido verdadeiramente ativo contra a corrupção ou um partido cujo silêncio não significará mais do que complacência perante a sua própria identidade. Como cidadãos, insisto, não podemos deixar que quem exerce poder permaneça nesse limbo moral – entre dizer que é contra mas praticar a favor. Como cidadãos, mais do que análises políticas à direita ou à esquerda, temos o dever de exigir mais dos nossos representantes políticos. Sem autarcas em prisão domiciliária, sem eurodeputados com traços de lobyismo, sem a conveniência da mudez ocasional.

Caso contrário, permaneceremos neste estado de indignidade coletiva e de impunidade de alguns. E são esses alguns que nos governam. Sobre a sua crise, no entanto, não se fizeram capas de jornal.

Não queremos ser todos iguais, pois não?

Maio de 2014, nasceu o Observador. Junho de 2019, nasceu a Rádio Observador.

Há cinco anos poucos acreditavam que era possível criar um novo jornal de qualidade em Portugal, ainda por cima só online. Foi possível. Agora chegou a vez da rádio, de novo construída em moldes que rompem com as rotinas e os hábitos estabelecidos.

Nestes anos o caminho do Observador foi feito sem compromissos. Nunca sacrificámos a procura do máximo rigor no nosso jornalismo, tal como nunca abdicámos de uma feroz independência, sem concessões. Ao mesmo tempo não fomos na onda – o Observador quis ser diferente dos outros de órgãos de informação, porque não queremos ser todos iguais, nem pensar todos da mesma maneira, pois não?

Fizemos este caminho passo a passo, contando com os nossos leitores, que todos os meses são mais. E, desde há pouco mais de um ano, com os leitores que são também nossos assinantes. Cada novo passo que damos depende deles, pelo que não temos outra forma de o dizer – se é leitor do Observador, se gosta do Observador, se sente falta do Observador, se acha que o Observador é necessário para que mais ar fresco circule no espaço público da nossa democracia, então dê o pequeno passo de fazer uma assinatura.

Não custa nada – ou custa muito pouco. É só escolher a modalidade de assinaturas Premium que mais lhe convier.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: observador@observador.pt
PS

Não subestimem Pedro Nuno Santos /premium

Sebastião Bugalho

A ideia de que o pedronunismo se resume a um fenómeno ativista é profundamente desinformada: eles andam aí, nas agências de publicidade, nos escritórios de advogados, nas vilas de Aveiro, nas redações

Política

A alegada universalização do passismo /premium

Sebastião Bugalho
417

O problema de admitir que a falta de dinheiro não mudou com a ideologia é que toda a porcaria que foi escrita contra Passos (o "ajoelhar" a Merkel...) era, no fim do dia, apenas lidar com a realidade.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)