Segundo alguns linguistas, a expressão popular “cor de burro quando foge” terá surgido da corruptela do provérbio “corro de burro quando foge”. Alguém percebeu mal (um mouco, provavelmente) e começou a usar o dito incorrecto. Faz sentido. Sair da frente de um asno desembestado é uma atitude inteligente; já a cor do bicho enquanto o faz é um detalhe que só interessa a especialistas da Robbialac. Estou convencido que foi isso que aconteceu a António Costa: ouviu mal um provérbio e interiorizou o conceito errado. Onde a maior parte de nós diz “o que arde cura”, Costa percebeu “o cobarde cura”. E ficou. Para o PM, os médicos têm aquela caligrafia por estarem a tremer de medo.

Se calhar, Costa ainda vai mudar o hino. Depois de “nação valente”, acrescenta-se “excepto a classe médica, que é composta por borrinhas”. Convida-se o Sérgio Godinho, o único capaz de enfiar tantas palavras na melodia, e espera-se por um jogo da selecção para assistir aos jogadores a atrapalharem-se nesta nova parte.

Recapitulemos: primeiro, houve médicos que cobardemente não quiseram ir ao lar de Reguengos; depois, António Costa chamou cobardes a esses médicos, mas pelas costas, mesmo à cobarde; a seguir, o Expresso quis pôr essas declarações a circular, mas sem as publicar, optando pela cobardia de enviá-las para vários meios de comunicação social, aumentando as hipóteses de fuga; posteriormente, um jornalista que viu o vídeo pô-lo a circular nas redes sociais, sem se identificar, típico dos cobardes; por fim, sentado confortavelmente em frente ao mar a beber um drink de fim de tarde, preparo-me para fazer pouco de todos. Como o cobarde que também sou.

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