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Nuno Palma é um académico, historiador económico, professor na Universidade da Manchester. Poucos fora do meio universitário deviam ter ouvido falar dele antes da Convenção do MEL – depois da Convenção o país do comentariato e os indignados do twitter transformaram-no num dos seus alvos de estimação porque considerou que que – e vou citá-lo – “compreender o Estado Novo é importante não para o defender, porque é indefensável a nível político, mas para compreender porque é que Portugal é hoje um país com imensa resistência a ideias que não sejam de esquerda”. Isso fez dele imediatamente um “fascista” – axioma: tudo o que não seja denunciar o fascismo, idealmente combater o fascismo, porventura mesmo “matar fascistas”, é suspeito de ser fascista – e permitiu que colegas da Universidade (ou melhor, do ISCTE) se achassem no dever de se armarem em “pides” e de quase sugerirem o seu saneamento de Manchester – axioma: tudo o que não seja pensamento alinhado não é tolerado e deve ser “cancelado”.

Para além da baixeza do gesto e da grosseria da distorção das suas palavras, há uma razão de ser neste ataque que vai para lá desse desporto nacional que foi fazer da Convenção do MEL o saco de pancada de tudo o que se queria bem-pensante neste país – bem-pensante mas pouco pensante, mas isso para o caso pouco importou. E essa razão de ser está em Nuno Palma, nessa sua intervenção mas sobretudo no seu trabalho académico, na sua investigação histórica e económica, pôr em causa alguns dogmas da esquerda. E por mostrar duas coisas: a primeira, que teimamos em repetir os erros do passado; a segunda, que só escondendo e mistificando a história é possível manter a narrativa de mentira que faz com que essa repetição seja social e politicamente aceitável.

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