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Parece que abundam razões, à esquerda e à direita, para não votar no actual Presidente da República. À direita, há quem até tenha dez. Resta-me invejar tanta opulência. Eu sou mais modesto. Para votar no Presidente não tenho dez razões, nem nove, nem cinco, nem sequer duas. Mas tenho uma. E essa me basta, na sua simplicidade: não consigo descortinar nenhuma vantagem em enfraquecer a Presidência da República nos próximos cinco anos; pelo contrário, vejo várias desvantagens.

Porque é que as mais azedas reacções contra a reeleição do Presidente provêm da direita? Por esses lados, dir-se-ia às vezes que o Presidente se transformou numa espécie de Donald Trump, de quem fica sempre bem dizer mal. Parte dessa desafeição, como seria de esperar, tem explicação em manobras partidárias. É o caso, por exemplo, da facção derrotada no último Congresso do CDS, incompatível com o Presidente da República apenas na medida em que está determinada a pôr em causa tudo o que possa dar algum crédito a Francisco Rodrigues dos Santos, seja o acordo dos Açores, seja a reeleição de Marcelo Rebelo de Sousa. É também o caso dos novos partidos de direita, o Chega e a Iniciativa Liberal. Ambos viram em candidaturas presidenciais uma oportunidade para captarem o suposto “descontentamento” dos eleitores do PSD e do CDS. Para isso, convém-lhes fingir que o Presidente é o principal, quando não mesmo o único responsável do que aconteceu nos últimos cinco anos, dos fogos de Pedrogão à epidemia.

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