O antigo presidente do PSD Marcelo Rebelo de Sousa considerou que é “mau para a coligação” a apresentação imediata de um candidato presidencial, discordando do momento em que Francisco Pinto Balsemão declarou apoio a Rui Rio.

O fundador do PSD e antigo primeiro-ministro Francisco Balsemão desafiou na terça-feira o ex-presidente da Câmara do Porto Rui Rio a montar o “cavalo do poder” como candidato a Presidente da República, dizendo que de todas as possíveis candidaturas esta é a que mais o entusiasma.

À margem da apresentação do livro Leiria e a Democracia – 40 anos, que decorreu no Instituto Politécnico de Leiria, Marcelo Rebelo de Sousa adiantou que o “único ponto” em que diverge de Francisco Pinto Balsemão “não tem a ver com o nome, tem a ver com a apresentação imediata da candidatura”.

“Para Balsemão, é bom para a coligação e é bom para o candidato haver uma apresentação imediata e haver uma corrida em simultâneo para as legislativas e para as presidenciais. Eu entendo exatamente o oposto. Entendo que é mau para a coligação e é mau para o candidato”, sublinhou Marcelo Rebelo de Sousa, acrescentando que, em Portugal, só existe “uma experiência de haver simultaneamente um candidato e uma coligação: foi a AD com o general Soares Carneiro”.

Segundo o ex-líder social-democrata, a afirmação do fundador do PSD “dá um ruído que é negativo para ambos e há uma sobreposição de coisas diferentes”.

“Mas é uma opinião perfeitamente legítima, que não é a minha, e os factos se encarregarão de mostrar quem é que tinha razão”, afirmou, adiantando não ter ficado surpreendido com o apoio “em relação à pessoa”, pois é “uma decisão e uma opção perfeitamente lógica, se não mesmo esperável”.

Para o ex-líder do PSD, Rui Rio é “um nome com peso” e “um dos nomes possíveis de candidatos presidenciais da área do centro direita”.

Confrontado com a possibilidade de estar a perder espaço para uma eventual candidatura sua à Presidência da República, Marcelo Rebelo de Sousa disse que “a questão fundamental, neste momento, não é tanto olhar para as sondagens e ver quem é que tem mais peso, nem é tanto olhar para as bases e ver quem é que vai mais às bases, nem sequer é olhar para os barões e ver quem é que tem um ou outro barão”.

“O mais importante é a escolha de fundo que os candidatos a candidatos que existirem e a coligação devem fazer, que é a escolha entre esperar pelas legislativas, e depois tratar das presidenciais, ou avançar já com as presidenciais, antes das legislativas. Eu acho que essa é a grande escolha dos próximos dois meses”, rematou.

“Os prazos vão encurtando. E o cavalo do poder raramente passa mais de uma vez à porta de quem o pode montar”, afirmou o também patrão do grupo de Comunicação Social Impresa, na terça-feira, dirigindo-se ao ex-presidente da Câmara do Porto, na apresentação da biografia de Rio, “Raízes de Aço”, na sede lisboeta da Ordem dos Técnicos Oficiais de Contas.

Rio, por seu turno, escusou-se a responder ao repto, alegando tratar-se de “questões de política conjuntural”, embora expressasse “grande honra” e “orgulho” pelas palavras de alguém por quem tem “enorme respeito”, deixando apenas escapar que “só muito junto à foz se notam as marés num rio”.

O antigo chefe de Governo disse também que, “de todas as candidaturas anunciadas, semi-anunciadas, verdadeiras, hipotéticas, etc., até agora conhecidas, a eventual candidatura de Rui Rio à Presidência da República é a que mais entusiasmo e confiança” lhe “inspira”.