Depois do levantamento das sanções económicas impostas ao Irão (em troca da revisão, conversão e redução do programa nuclear iraniano), há ainda vários países que continuam a sofrer sanções económicas e diplomáticas, aplicadas pelos Estados Unidos, ONU e União Europeia. Os principais são a Coreia do Norte, a Síria, a Líbia, o Sudão, a Rússia, a Ucrânia, Cuba e a Venezuela, relata a BBC, que fez um levantamento sobre o porquê da aplicação das sanções.

Coreia do Norte

North Korea's top leader Kim Jong-un signs an order for the country to conduct a hydrogen bomb test

As sanções contra o regime de Kim Jong-un são múltiplas e, explica a BBC, devem-se sobretudo a duas razões: ao programa nuclear norte-coreano e ao abuso de direitos humanos. Na prática, a cooperação com o país foi bloqueada: tanto ao nível das atividades financeiras e militares (armamento) como ao nível de trocas comerciais.

Quanto ao programa nuclear de Kim Jong-un, a última notícia alarmante foi dada já este mês (no dia 6 de janeiro), quando a televisão estatal do país anunciou a primeira detonação de uma bomba de hidrogénio. Mas os testes nucleares do país têm sido recorrentes, particularmente desde 2006.

Tal levou a que o Conselho de Segurança da ONU, em 2013, tenha reforçado as sanções aplicadas à Coreia do Norte. Entre as sanções definidas estiveram um embargo à compra de armamento norte-coreano, a proibição de importação de um conjunto de produtos exportados pela Coreia do Norte e um congelamento dos fundos e recursos económicos investidos no país.

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Se haverão mais sanções ao país, como consequência da detonação da bomba de hidrogénio feita pelo regime de Kim Jong-un, é algo ainda incerto: e dependerá também da vontade da China, aliada do regime norte-coreano, que tem poder de veto no Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas.

Mas o regime chinês não ficou satisfeito com o teste nuclear, pelo que pode apoiar os restantes países futuramente. “A China opõe-se fortemente a este ato”, afirmou uma porta-voz do ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Hua Chunying, que deixou ainda o aviso: “A China irá pressionar fortemente em favor da desnuclearização da Península Coreana”.

Síria

Política, Guerras e Conflitos, Governo (sistema), Diplomacia

A Síria é outro dos países que se mantém sob a alçada da União Europeia e dos Estados Unidos. Já foram impostas sanções ao regime de Bashar al-Assad por diversas razões: desde o alegado apoio do regime a grupos terroristas até à repressão das liberdades individuais no país, passando, mais recentemente, pela gestão do país na recente crise de refugiados.

Entre as sanções incluídas estão um embargo à venda de material que possa ser usado pelo regime na repressão de civis, a proibição das trocas comerciais com o país (particularmente em negócios que envolvam a indústria petrolífera). Em 2013, por exemplo, a União Europeia decidiu extender as sanções aplicadas à Síria, reforçando o embargo à venda de armas para o regime sírio.

Em dezembro de 2015, os Estados-membro do Conselho de Segurança da ONU chegaram pela primeira vez a acordo quanto ao cessar-fogo no país e ao início das negociações entre o regime de Bashar al-Assad e os grupos rebeldes sírios. A dificuldade na chegada a acordo deve-se à posição da Rússia, aliada do regime sírio: no acordo, por insistência da Rússia, ficou de fora a saída do presidente sírio enquanto requisito essencial para o início das negociações — o que pode dificultar ao cessar fogo entre o regime e os grupos rebeldes que se lhe opõem.

Líbia

MAGHREB, AFTHER THE REVOLT, NATIONAL FLAG, COMMEMORATION, HORIZONTAL,

Também na Líbia foram impostas recentemente sanções diplomáticas: em fevereiro de 2011, o Conselho de Segurança da ONU decretou que o país passasse a ser uma zona para onde não se pode voar e impôs ainda um embargo à venda de armas e material bélico para o país, relata a BBC. A razão para a resolução da ONU (votada favoravelmente por 10 dos Estados membro, sendo que os restantes 5 abstiveram-se) centrou-se na ação do governo líbio, que, segundo a ONU, viola os direitos humanos daqueles que habitam no país.

Esta terça-feira, contudo, foi revelado o novo governo de unidade nacional líbio, que é apoiado pela Organização das Nações Unidas. Caso a ação do novo regime corresponda às exigências da ONU, as sanções poderão ser definitivamente levantadas. E os países ocidentais, afirma a BBC, mostraram-se disponíveis para levantar o embargo internacional a armas na Líbia, perante uma condição: que as fações do país se comprometam a juntar-se para combater o Estado Islâmico, revela o jornal britânico The Guardian.

Sudão

Children stand watching an Egyptian United Nations-African Union Mission in Darfur (UNAMID) soldier standing guard close to a vehicle (unseen) in Abu Shok camp, in al-Fasher, the capital of North Darfur state, on December 16, 2013. Almost two million people are displaced in Darfur, the UN's top official in Sudan said, giving a new figure for the region where violence has worsened this year. AFP PHOTO / ASHRAF SHAZLY (Photo credit should read ASHRAF SHAZLY/AFP/Getty Images)

Desde 1997 que foram aplicadas sanções económicas ao Sudão, quando o regime foi acusado de apoiar as tentativas de desestabilização de governos na região. À data, os Estados Unidos proibiram as empresas do país a utilizarem dólares norte-americanos, uma tentativa de enfraquecer a economia do Sudão. Nove anos depois (em 2006) os norte-americanos voltariam a impor novas sanções ao Sudão devido à violência verificada na região do Darfur, cometida por vários grupos rebeldes do país, relata a BBC.

As sanções, contudo, não tiveram tanta eficácia quanto se esperava: e para isso muito contribuiu a ação da China, que aproveitou para se converter num dos grandes parceiros do Sudão, vendendo armas para o país e comprando grande parte do petróleo existente na região.

Rússia

Russian President Vladimir Putin attends an annual news conference in Moscow

A Rússia também não escapou às sanções internacionais, particularmente em 2014, após a indexação da Crimeia pelas forças russas. Entre as sanções definidas pela União Europeia estão a proibição dos bancos estatais russos concederem empréstimos de longo prazo na União Europeia, a proibição de exportação de equipamento militar dos países da UE para o país presidido por Vladimir Putin e a proibição absoluta de trocas comerciais de armamento entre os países da UE e a Rússia.

A Rússia respondeu, proibindo a importância de produtos alimentares vindos dos países que aplicaram as sanções. E, já esta terça-feira, o presidente da câmara de deputados russa (a Duma) criticou as sanções que continuam a ser aplicadas ao país, afirmando que “a pressão externa à Rússia continua, tanto na economia como na esfera da propaganda”, mas que esta, ao invés de enfraquecer a Rússia, tem também enfraquecido os países ocidentais.

Ucrânia

DONETSK, UKRAINE - SEPTEMBER 10: A separatist fighter stands guard on September 10, 2014 in Donetsk, Ukraine. Despite a declared ceasefire between separatists forces and the Ukrainian military, tensions on the ground are still high throughout the east of the country. Sporadic shelling is heard in Donetsk daily and gunfire in the port city of Mariupol. The city of Donetsk has only around 300,000 people remaining out of a population of 900,000 due to the fighting. (Photo by Spencer Platt/Getty Images)

A Ucrânia também não escapa às sanções internacionais: os altos dirigentes e as organizações ucranianas envolvidas na revolta separatista pró-russa (isto é, os responsáveis e empresas ucranianas que apoiaram as ações militares dos rebeldes pró-russos) também foram alvo de sanções internacionais, vindas dos Estados Unidos e da União Europeia, relata a BBC.

As sanções também vieram da Rússia, que aplicou restrições à importação de vários produtos alimentares ucranianos.

Cuba

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No caso de Cuba, não há um conjunto de países a aplicar sanções diplomáticas e económicas ao país. Mas os Estados Unidos mantêm um embargo às trocas comerciais e financeiras entre os dois países, iniciado na década de 1960, aquando da revolução em Cuba, que levou à expropriação de várias empresas norte-americanas ali localizadas.

Venezuela

Maduro announces new cabinet

Na Venezuela, os alvos de sanções internacionais são sobretudo militares e polícias que exercem ou exerceram funções no regime venezuelano, presidido por Nicolas Maduro, e que reprimiram os protestos de fevereiro de 2014. Os Estados Unidos acusam estes responsáveis de terem violado os direitos humanos, e de terem cometidos atos corruptos no país.