O navio de guerra russo Severomorsk cruzou esta terça-feira o estreito de Dover, a zona mais estreita do Canal da Mancha entre Inglaterra e França, rumo ao Mar do Norte, num momento em que as relações entre Moscovo e Londres estão tensas devido ao apoio de Vladimir Putin ao presidente sírio. A Marinha britânica intercetou o destroyer de sete mil toneladas, equipado com mísseis contra navios de superfície, torpedos contra submarinos e outro armamento pesado. No último fim de semana, o Severomorsk esteve atracado em Lisboa, vindo do Mediterrâneo, sem que a Marinha portuguesa tivesse feito qualquer acompanhamento.

“Podemos confirmar que o navio patrulha HMS Mersey intercetou o destroyer russo Severomorsk no canal inglês antes de o entregar ao HMS Iron Duke para que escoltasse a embarcação para fora da área de interesse do Reino Unido”, disse ao Daily Star uma fonte da Marinha de Guerra britânica. “O HMS Mersey também escoltou três outras embarcações russas enquanto cruzavam a área de interesse do Reino Unido”, acrescentou a mesma fonte militar.

No final da semana passada, o navio russo esteve atracado em Lisboa para uma operação de reabastecimento encarada como “normal” pela Armada. Aparentemente, a Marinha de Guerra portuguesa teve uma atitude diferente da britânica. Ao passarem ao largo de Inglaterra, quatro navios russos — e, em particular aquele navio de guerra –, foram acompanhados de perto pela Marinha britânica, naquela que é a segunda interceção deste mês naquela região.

No início de maio, recorda o Daily Star, o submarino russo Krasnodar foi sinalizado pela fragata britânica HMS Somerset na sua passagem pelo mesmo Canal da Mancha. E, no controlo que faz do espaço aéreo britânico, também este fim de semana a Força Aérea intercetou aviões de guerra russos.

No ano passado, Moscovo já tinha protagonizado outras passagens por águas britânicas, consequência das operações realizadas no Mar Mediterrâneo no apoio das forças russas ao regime do presidente sírio Bashar Al-Assad na guerra contra os radicais islâmicos do Estado Islâmico.

A evolução do conflito fez com que o ministro dos Negócios Estrangeiros britânico Boris Johnson, cancelasse (várias vezes) uma deslocação à capital russa. Na última vez que o fez, os EUA tinham acabado de realizar um bombardeamento de larga escala em território sírio, em resposta ao ataque químico que matou cerca de 80 pessoas.