Tem acesso livre a todos os artigos do Observador por ser nosso assinante.

“As vacinas reduziram o impacto do vírus e continuam uma ferramenta-chave para combater a pandemia.” A frase é de Marco Cavaleri, chefe da Estratégia de Ameaças Biológicas para a Saúde e Vacinas na Agência Europeia do Medicamento (EMA), mas a mesma ideia foi usada pela diretora executiva do organismo.

Não há dúvidas de que as vacinas reduziram o impacto do vírus, salvando as pessoas de doença grave e morte, ainda há muito a ser feito”, alerta Emer Cooke, diretora executiva da Agência Europeia do Medicamento (EMA), em conferência de imprensa.

Marco Cavaleri reconhece as limitações das vacinas, como não serem 100% eficazes e a proteção diminuir ao longo do tempo, mas apresenta soluções como os reforços e a mistura de vacinas diferentes. Além disso, apresenta os tratamentos já aprovados e em análise que podem servir de complemento à vacinação.

Diminuição da proteção ao longo do tempo

Marco Cavaleri reconhece que há uma diminuição da eficácia das vacinas ao longo do tempo, como aliás acontece com outras vacinas, mas assegura que as doses de reforço são capazes de restaurar essa proteção.

Os reforços das vacinas da Pfizer/BioNTech e Moderna passados seis meses da segunda dose já estão aprovados. O reforço da vacina da Janssen dois meses depois da dose única está em estudo pela EMA. Além disso, também já estão autorizadas as doses adicionais a pessoas com sistemas imunitários vulneráveis acima dos 12 anos.

Portugal está a vacinar tanto como em meados de abril. “Está a correr melhor do que parece”, diz Carmo Gomes

Para as doses de reforço, Marco Cavaleri diz que os efeitos secundários previstos são os mesmos que para as doses iniciais e que, até ao momento, não foram encontradas novas situações após a terceira dose.

Sobre a mistura de vacinas, quer no esquema vacinal inicial, quer na dose de reforço, a EMA ainda está a analisar e prepara-se para emitir recomendações em breve (talvez no final da próxima semana). Até ao momento, os dados mostram uma boa resposta imunitária e uma proteção relevante.

PUB • CONTINUE A LER A SEGUIR

Vacina é eficaz a prevenir doença grave mesmo com a Delta

Apesar de reconhecer a necessidade de reforço em alguns grupos, o especialista da EMA reforça que a vacina continua eficaz a prevenir internamentos e mortes, mesmo na presença da variante Delta. A maior parte das pessoas que sofrem de doença grave e, eventualmente, morrem não estão vacinados.

“Deixem-me reforçar que as vacinas continuam a prevenir que muitos milhões de cidadãos da União Europeia fiquem muito doentes ou morram”, diz a diretora executiva da EMA, Emer Cooke. “E também ajudam a garantir que o serviços de saúde continuam a prestar cuidados de rotina sem os números avassaladores de doentes Covid-19 que vimos no passado.”

Vacinar agora Europa não trava a 5.ª vaga, mas pode dar resultados em janeiro

Ainda assim, reconhece Cavaleri, algumas pessoas vacinadas também têm doença grave e são internadas. A justificação é simples: “Não há nenhuma vacina que seja 100% eficaz”.

Mesmo vacinando milhares de pessoas — neste momento, cerca de 77% da população adulta na União Europeia (acima dos 18 anos) está totalmente vacinada —, se o vírus continua a circular livremente, haverá sempre algumas pessoas vacinadas que acabaram por ser infetadas e internadas, ainda que uma fração muito menor do que as que não foram imunizadas. Mais, existe uma grande diferença na cobertura de país para país.

Emer Cooke reconhece que estamos melhor agora do que estávamos há um ano, graças às vacinas e aos tratamentos e ao envolvimento dos vários intervenientes no processo, mas alerta que “é cada vez mais claro que a vacina só por si não é o suficiente, à medida que as temperaturas descem na Europa” e reforça a necessidade do uso de outras medidas fundamentais para travar a pandemia: distância física, uso de máscara, boa ventilação dos espaços e higiene das mãos.

Com mais vacinação, há menos mortes, mas é preciso considerar outros fatores

Três vacinas em análise, uma à espera de aprovação e outra para ser indicada para crianças

A vacina da Novavax (Nuvaxocid) é a que está mais avançada no processo de revisão da Agência Europeia do Medicamento (EMA) e é a primeira vacina baseada na proteína do vírus — a proteína spike, que dá um aspeto coroado ao vírus.

No processo de avaliação continuo, mas ainda sem terem formalizado o pedido de aprovação, estão outras três vacinas: a Sputnik V do Instituto Gamaleya (Rússia), a vacina da Sinovac (China) e a da Sanofi Pasteur (França).

Vacinas em avaliação pela Agência Europeia do Medicamento

A EMA anunciou ainda, esta quinta-feira, que a vacina da Pfizer/BioNTech foi recomendada para crianças dos cinco aos 11 anos, com um terço da dose dos adultos, mas também em duas tomas e que a vacina da Moderna, para ser dada a partir dos seis anos, está em avaliação.

EMA recomenda vacinação de crianças entre os cinco e os 11 anos: qual a dose, a eficácia e que efeitos secundários foram apresentados?

Três tratamentos contra a Covid-19 aprovados e seis em análise

Os tratamentos têm um papel muito importante como complemento no combate à Covid-19, mas não conseguem substituir as vacinas, avisa Marco Cavaleri, especialista da EMA. Até ao momento, a EMA já aprovou três medicamentos.

Tratamentos aprovados pela EMA contra a Covid-19

Os tratamentos serão de particular importância para as pessoas mais vulneráveis e para aquelas cujo eficácia da vacina é menor, de forma a reduzir a gravidade da doença.

Entre os medicamentos que estão a ser avaliados, há três que foram desenvolvidos para outras doenças e agora foram adaptados à Covid-19 (quer para tratamento ou prevenção) e podem ser aprovados até ao final do ano. Outros três são completamente novos.

De forma geral existem três tipos de tratamentos: os anticorpos monoclonais neutralizantes, que impedem o vírus de entrar nas células humanas; os imunomodulares, cujo objetivo é reduzir a atividade exacerbada dos sistema imunitário (que acaba por prejudicar o doente); medicamentos antivirais com diferentes alvos.