Conservadora mas progressista, europeísta mas eurocética, vanguardista mas tradicionalista. Foi grande oposicionista do regime do Estado Novo e grande crítica do gonçalvismo e do Processo Revolucionário em Curso (PREC) pós-25 de Abril. Abraçou a vinda da atriz pornográfica Cicciolina recém-eleita deputada italiana quando veio visitar Portugal. De Natália Correia fala-se da personalidade exuberante e excessiva, dos versos que escrevia no assento da bancada parlamentar da Aliança Democrática (AD) do PSD-PPD de Francisco Sá Carneiro e do CDS-PP, fala-se da sua intelectualidade e famosas tertúlias dadas em casa ou no Botequim à Graça, em Lisboa, mas fala-se também da editora: a publicação da Antologia da Poesia Portuguesa Erótica e Satírica valeu-lhe uma condenação em tribunal. E, sobretudo, da poeta. Nascida a 13 de setembro de 1913 em Fajã de Baixo, na ilha de São Miguel, Açores, Natália Correia era, isso sim, um ser livre. Tão livre que pensava à frente do seu tempo. E isso teve o seu custo.

[Já saiu o último episódio da série em podcast “Um Espião no Kremlin”, a história escondida de como Putin montou uma teia de poder e guerra que pode escutar aqui. Pode ainda ouvir o primeiro episódio aqui, o segundo episódio aqui, o terceiro episódio aqui, o quarto episódio aqui e o quinto aqui ]

A propósito da celebração do seu centenário, é reeditada a sua poesia completa pela Ponto de Fuga, O Sol nas Noites e o Luar nos Dias, e também um livro que se encontra integrado naquela antologia e que o editor Pedro Mexia quis publicar na coleção da Tinta da China, resultado das viagens da poeta pela Europa, O Anjo do Ocidente à Entrada do Ferro. O Observador esteve à conversa com os dois editores, numa entrevista a dois tempos, sobre a poeta, a agitadora, o ser livre, que era Natália de Oliveira Correia.

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