O princípio do fim foi a 3 de dezembro de 2013. O Banco de Portugal, liderado pelo governador Carlos Costa, apertava o cerco desde o verão, cada vez mais desconfiado da Espírito Santo International (ESI) — uma holding do topo da cascata opaca que era o Grupo Espírito Santo (GES). O auditor do GES tinha detetado “desconformidades” contabilísticas e os alarmes dispararam na velha sede do Banco de Portugal na rua do Ouro. Aquela carta de 3 de dezembro era o culminar de uma série de pressões localizadas e a mensagem era clara: a Espírito Santo Financial Group, a holding que detinha a participação dos Espírito Santo no BES, estava obrigada a eliminar a sua exposição à ESI e a constituir uma conta dedicada que seria aprovisionada com os fundos necessários ao reembolso da dívida daquela holding do GES detida por clientes do BES.

Na Suíça, Luxemburgo, Dubai e até no Panamá os supervisores da banca também já tinham começado a fazer perguntas às diversas entidades que os Espírito Santo detinham em quatro continentes.

A escolha de Ricardo Salgado foi só uma: a fuga em frente em direção ao precipício. Entre dezembro de 2013 e junho de 2014, altura em que os Espírito Santo são afastados pelo governador Carlos Costa da liderança do BES, Salgado “empreendeu todas as decisões que estavam ao seu alcance para obter criminalmente dinheiro” para continuar a esconder a realidade da falência técnica da ESI que se verificava desde 2009, lê-se no despacho de acusação do processo Universo Espírito Santo.

A acusação. Anatomia de uma associação criminosa que destruiu o Grupo Espírito Santo

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