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Não há dúvida. Alexandre O’Neil é que nos topava bem. Entre os portugueses, poucas frases são mais vezes repetidas do que “a culpa não foi minha”. O que não surpreende. O exemplo vem de cima. Nos últimos tempos vem por regra do primeiro-ministro. Ainda Mação e Vila de Rei estavam a arder e já António Costa, sibilino, sacudia a água do capote: “não digo aos que são os primeiros responsáveis pela proteção civil em cada concelho, que são os autarcas, o que é que devem fazer.” Isto depois de ter dito que não fazia comentários porque as operações de combate ao fogo ainda estavam a decorrer…

Parece que estamos sempre a ver o mesmo filme. Em 2017, quando morreram 64 pessoas em Pedrógão, António Costa falou de 99% de sucesso na estratégia que estava a ser seguida (que era, recorde-se, a de “controlar o fogo no momento em que nasce” — o diabo era quando ele fugia ao controle, como tinha sucedido naquele dia). Também soubemos, a propósito do assalto a Tancos, que “não é responsabilidade de nenhum ministro estar à porta de um paiol a guardá-lo”. E não nos esquecemos como, depois dos incêndios de Outubro de 2017, e de mais umas dezenas de mortes, lhe foi difícil por fim pedir publicamente desculpa aos portugueses.

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