Crónica

O Rato rebolou a rir do repto a Rui Rio /premium

Autor
2.011

Eu acho estupendo. Propinas gratuitas, livros gratuitos, transportes gratuitos, tudo gratuito para toda a gente. Por este caminho o mais provável é acabarmos a trabalhar gratuitamente para o Estado.

Quem por estes dias passar no Largo do Rato escutará sonoras gargalhadas provocadas pela bagunça no PSD. Na sede do PS o som da chacota ecoa ainda mais alto porque no que diz respeito a uma estratégia para o futuro do país o silêncio é sepulcral. Ainda assim, alguma da troça provocada pelo desafio de Luís Montenegro a Rui Rio são risos nervosos. No fundo os socialistas têm enorme admiração por alguém que tenta correr com um líder eleito há apenas um ano. É que mesmo o habilidoso António Costa esperou por uma vitória eleitoral por poucochinho para correr com Seguro.

Entretanto, os críticos de Rui Rio estão indignados por o Conselho Nacional que decidirá o futuro do PSD ser às 17h no Porto. É que a essa hora há sessão do parlamento em Lisboa. Mas qual é o problema? Nada que não se resolva com uma boa pedra-pomes e a solicitude daquela deputada que votou pelo colega Barreiras Duarte: os deputados vão para o Porto e a senhora carrega nos botões por todos eles. No fim da sessão a deputada esfrega suavemente a pedra-pomes no calo que entretanto ganhou no dedo indicador e vai gozar quinze dias de repouso bem merecido.

O PSD capitula e a Aliança capitaliza. Já vai com 4% nas sondagens. E na convenção do Movimento Europa e Liberdade Santana Lopes afirmou que “Temos de derrotar a frente de esquerda e o Governo de António Costa”, pondo fim às especulações que a Aliança poderia viabilizar um futuro governo minoritário de Costa. Havia até quem insinuasse maldosamente que “Aliança” era na verdade o acrónimo de “A Liderança Intregaremos Ao Nosso Camarada António”. E mesmo quando confrontados com o facto de “Entregaremos” se escrever com “E” e não com “I”, e “Camarada” não ter cedilha, os mordazes intriguistas contrapunham — não sem alguma graça: “O quê, o nome do partido do apreciador das peças de Chopin para violino não pode ter dois ou três erros ortográficos, queres ver?”

Quem não apreciou nada esta convenção foi Manuela Ferreira Leite. A ex-ministra disse que o evento lhe mereceu “desprezo” e que preferia que o PSD tivesse “pior resultado” eleitoral do que ficar com um “rótulo de direita”. O PSD, de direita? Alguma vez? Jamais! Não passarão! Creio que consigo identificar a maleita que afectou Manuela Ferreira Leite sem necessidade de meios complementares de diagnóstico: Freitas do Amaralite aguda. Pelo menos é o que indicia a fortíssima guinada à esquerda. Ou isso, ou Manuela Ferreira Leite é daquelas senhoras que está sempre a trocar a esquerda com a direita. Não sei, qualquer coisa se passa para ali.

Por falar na ex-ministra da Educação, o actual ministro preconiza o fim das propinas no ensino superior. É um tema que obriga a muitas contas em sede de Orçamento de Estado. Daí socorrer-me da opinião da especialista Catarina “Portugal Dá Lucro” Martins: e confirma-se, é uma boa opção porque o Bloco de Esquerda também quer acabar com as propinas. Eu acho estupendo. Propinas gratuitas, livros gratuitos, transportes gratuitos, tudo gratuito para toda a gente. É uma estória bonita. Teimosamente, a História insiste em mostrar que por este caminho o mais provável é acabarmos todos a trabalhar gratuitamente para o Estado. A estória é mesmo muito linda, pena o final ser um bocadinho triste.

Agora que entramos em 2019...

...é bom ter presente o importante que este ano pode ser. E quando vivemos tempos novos e confusos sentimos mais a importância de uma informação que marca a diferença – uma diferença que o Observador tem vindo a fazer há quase cinco anos. Maio de 2014 foi ainda ontem, mas já parece imenso tempo, como todos os dias nos fazem sentir todos os que já são parte da nossa imensa comunidade de leitores. Não fazemos jornalismo para sermos apenas mais um órgão de informação. Não valeria a pena. Fazemos para informar com sentido crítico, relatar mas também explicar, ser útil mas também ser incómodo, ser os primeiros a noticiar mas sobretudo ser os mais exigentes a escrutinar todos os poderes, sem excepção e sem medo. Este jornalismo só é sustentável se contarmos com o apoio dos nossos leitores, pois tem um preço, que é também o preço da liberdade – a sua liberdade de se informar de forma plural e de poder pensar pela sua cabeça.

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