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Depois de o Papa Francisco ter chamado ao Vaticano os presidentes de todas as conferências episcopais do mundo para discutir a resposta da Igreja à crise dos abusos sexuais, pareceu ficar claro na cabeça de todos, crentes ou não, que o tema era a prioridade número um da hierarquia católica. Durante quatro dias, 190 líderes católicos de todo o mundo (Portugal foi representado pelo cardeal patriarca de Lisboa, D. Manuel Clemente) escutaram relatos de vítimas, falaram da necessidade de transparência e de melhores procedimentos internos e ouviram recados da comunicação social. No final, ficaram oito ideias concretas — que souberam a pouco para as vítimas.

Para todos os que esperavam mais e melhor da liderança da Igreja Católica no combate ao problema mais grave que tem em mãos, o consolo era o de que as medidas concretas viriam a ser tomadas por cada conferência episcopal, para de facto que houvesse uma resposta firme de prevenção dos abusos, de apoio às vítimas e de punição dos agressores — mas adaptada à realidade de cada país. O Papa Francisco não tardou em dar o exemplo: em março, anunciou formalmente uma série de alterações à lei do Vaticano (o único território onde tem jurisdição civil) que tornou obrigatória a denúncia de situações de abuso, prevendo multas avultadas para quem omitisse esta denúncia.

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