Entre uma filhó e um cálice de vinho do Porto, é possível que alguns portugueses até se tenham engasgado. Ora ali estava ele, em pose quase humilde, a falar dos seus sucessos – poderia lá deixar de fazê-lo? –, mas ao mesmo tempo a alertar para o risco das ilusões. O ano passado, por causa da tragédia dos incêndios, também tivera de se apresentar pelo Natal sem a habitual arrogância, pelo que a novidade da sua modéstia não era coisa de monta, algumas das frases que se iam ouvindo até eram quase iguais, nada parecia justificar que se interrompesse a refeição.

Até que António Costa deixou cair um sibilino sinal de mudança de discurso:

“Virada a página dos anos difíceis…”

Como? “Anos difíceis?” Então onde foi parar a austeridade? Continua? Ou afinal nunca existiu?

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