Esta crónica não interessará a Mourinho, Jesus, Conceição, Guardiola, Klopp, Zidane nem Ancelotti. Não dirá nada a treinadores que sabem de estratégia de jogo e que sabem dar lições sobre posicionamento táctico, jogo em profundidade e posse de bola; nem aos que compreendem a importância dos treinos, da repetição até à excelência e da prática como caminho mais seguro (embora difícil e trabalhoso) para a construção de espírito de equipa, indispensável a qualquer plantel moderno e ganhador.

Na verdade, aprende-se no futebolês básico que os treinadores com pouca criatividade é que obrigam os seus pupilos a jogar ao meinho durante os treinos. É uma espécie de monotonia em que três ou quatro jogadores trocam a bola entre si (nas modalidades de um ou dois toques) e há um no meio, a fazer figura de tonto, que desafia as probabilidades e corre atrás do esférico até ficar exausto.

Trata-se de uma tradição que vem dos tempos da escola secundária, em que normalmente vai para o meio o nerd de serviço, participando numa espécie de bullying consensual e com bola, que acaba com o desgraçado de língua de fora a tentar ir a todas sem de facto chegar a nenhuma. Depois vem o “toque para dentro” e os colegas dizem que ele está muito bem assim para o convencer a ir ao meio outra vez no intervalo seguinte.

Não consigo pensar em metáfora mais perfeita para o Rui Rio actual. Rio ensaiou durante a campanha uma fuga para o centro, acreditando que o povo iria aclamá-lo como novo profeta da ponderação, do equilíbrio, do sentido de Estado e da virtude. Tentou capitalizar até à exaustão a imagem de homem sério e rigoroso que quis criar durante os últimos anos e que tantas vezes o espelho devolve aos seus próprios olhos.

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