O parlamento português condenou esta sexta-feira, com votos favoráveis de todos os partidos, menos o CDS-PP, que se absteve, a “violência desproporcional do exército de Israel” contra palestinianos em Gaza e pediu “um apuramento independente” sobre estes incidentes. Esta posição consta de um voto apresentado pelo PS, que contou ainda com a abstenção dos deputados do PSD Miguel Morgado, Paula Teixeira da Cruz e Carlos Abreu Amorim, através do qual a Assembleia da República “condena a violência desproporcional do exército de Israel contra a Marcha do Retorno, que gerou a perda de vidas humanas e mais de 1.400 feridos, expressando o seu pesar pela morte de 18 pessoas”.

Neste voto de condenação e pesar, o parlamento também “apela ao respeito por Israel das suas responsabilidades decorrentes do direito internacional humanitário e à realização de um apuramento independente e transparente dos atos que conduziram aos confrontos” e “manifesta a sua solidariedade com os esforços da comunidade internacional em encontrar uma solução justa, assente numa solução de dois Estados e aceite pelas partes para o conflito israelo-palestiniano”. Este documento apresentado pelos socialistas foi o que obteve maior apoio nas votações da sessão plenária desta sexta-feira, em que foram lidos e votados, durante cerca de 40 minutos, quatro textos diferentes sobre os confrontos entre o exército israelita e manifestantes na fronteira de Gaza com Israel, apresentados pelo PS, pelo PCP, pelo Bloco de Esquerda e por CDS-PP e PSD.

Foi igualmente aprovado, com votos contra de Bloco de Esquerda, PCP, PEV e PAN e de sete deputados socialistas e a abstenção do PS, o voto de CDS-PP e PSD, através do qual o parlamento “manifesta a sua preocupação pelo agravamento da situação de tensão” entre Israel e Gaza, “condena todos os atos violência perpetrados” e “apela à abstenção de quaisquer outros que possam provocar mais vítimas”. Além disso, com este “voto de preocupação e condenação pela escalada da violência em Gaza”, que teve o apoio de seis deputados socialistas, a Assembleia da República “associa-se às declarações do secretário-geral das Nações Unidas [António Guterres] que apelam para a realização de ‘uma investigação independente a estes incidentes’ e a um regresso à mesa das negociações entre israelitas e palestinianos, por forma a impulsionar uma coexistência entre dois Estados, lado a lado, em paz e segurança”.