O Plano de Saúde Outono-Inverno da DGS tem sido criticado pelos especialistas em saúde pública, por se focar exclusivamente na Covid-19 e ignorar as outras doenças que, nesta altura do ano, costumam afectar as pessoas. Por seu lado, o Governo garante que é um óptimo Plano. Os especialistas têm razão, o Plano é muito mau. Mas o Governo também tem razão, o Plano é excelente. É mau, porque vai prejudicar a saúde dos portugueses. E é excelente, porque o Plano não se destina à saúde dos portugueses. O Plano é óptimo, o povo é que o escangalha. Há que olhar para o Plano sem nos distrairmos com pormenores como as necessidades materiais e humanas do SNS, ou os utentes que vão ser servidos. Tirando isso, só por má vontade se pode criticar. A verdade é que o povo português não sabe merecer um bom Plano de Saúde. Não respeita o Excel e insiste em adoecer à balda. Assim é muito difícil planificar.

Já se percebeu que os Portugueses não estão a saber comportar-se nesta pandemia. Como António Costa apontou – e bem! – houve um relaxamento que propiciou o aumento de infecções em Portugal. De facto, enquanto povo, temos tendência ao relaxamento. (É possível que tenha que ver com carências alimentares. Povos que comem melhor têm tónus muscular superior).

O facto deste agravamento estar a acontecer também nos outros países, não contradiz o Primeiro-Ministro. Pelo contrário, só o confirma: há Portugueses espalhados por todo mundo, de modo que o mais provável é serem estes compatriotas os responsáveis pelos ressurgimentos locais. A porteira em Paris, o empregado de mesa em Londres, o jogador de futebol em Turim. Em princípio, em cada país, há-de ter sido um emigrante dos nossos a lixar o esquema.

Somos um povo maçador, que não coopera. Os portugueses teimam em deixar-se apanhar pelo vírus, contrariando indicações muito específicas do Governo. Mais: continuam a sofrer outras maleitas, só para embirrar. Insistimos em ficar doentes, refilamos com tudo, não cumprimos ordens, falecemos por pirraça. É natural que António Costa esteja enfadado connosco e deseje mudar de povo. Tal como trocou o Presidente do Tribunal de Contas por um mais simpático, Costa gostava de ter um povo mais agradável, que não lhe desse tantas chatices. Parece mesmo que nos vai despedir. E, legalmente, até pode: o país não está a dar lucro, portanto, Costa pode terminar contratos à vontade.

(Bastou ver o sorriso de António Costa a entregar o Plano de Recuperação Económica a Ursula von der Leyen, em Bruxelas, para perceber que o PM prefere estar na companhia de estrangeiros. Estava tão contente, principalmente quando se gabou de termos sido os primeiros a entregar o documento. Parecia um rapazinho orgulhoso por ter acabado o teste antes de toda a gente. Espero que a stôra Ursula lhe tenha perguntado se tinha revisto bem as respostas. Lembro-me o que é que acontecia aos cábulas que despachavam o trabalho à pressa, só para serem os primeiros a mostrar serviço. Se o Plano de Recuperação for tão bom quanto o de Saúde, von der Leyen vai ter uma grande dificuldade em decidir onde deve armazená-lo. Contentor azul ou amarelo? Por um lado, é imenso papel; por outro, para entregar aquele rascunho foi precisa muita lata).

Quando Costa afirma que é preciso dar um abanão nos Portugueses, não é no sentido de safanão à bruta. É mais uma sacudidela, daquelas que se usam para enxotar uma mosca chata. António Costa maçou-se connosco. O que ele quer é que saíamos de casa, mal ele ordene, e que recolhamos imediatamente, mal ele o indique. Costa não quer um povo, quer um ioiô. Bem sei que o PM diz que odeia ser autoritário. Só que di-lo com o mesmo ar que aqueles gordos fazem quando dizem: “Não gosto lá muito de doces”, enquanto limpam migalhas de bolo do queixo. Os portugueses não parecem muito interessados em instalar a aplicação StayAway Covid, mas António Costa já instalou a aplicação StayAway Portugueses.