Não sei se lhe escreveram, se lhe saiu espontaneamente. Mas mal ouvi a Costa aquele lema “palavra dada tem de ser palavra honrada” pensei logo, que mais cedo ou mais tarde, acabaria como os peixes: a morrer pela boca. Não precisei de esperar muito. Se a primeira metade da legislatura correu calma, com dinheiro para distribuir e facilidade em cumprir os acordos acertados com os parceiros da geringonça, agora que se aproximam as eleições e não há mais orçamento para esticar, Costa foi apanhado na demagogia do seu próprio anzol. E a frase bonitinha foi por água abaixo.

Só esta semana sucederam-se os casos.

O do Infarmed é só o mais emblemático de todos eles. Mesmo podendo ser acusada de estar a imitar Jerónimo de Sousa, uso mais uma expressão popular: o que nasce torto, tarde ou nunca se endireita. Costa quis compensar o Porto porque se esqueceu inicialmente da cidade no concurso para a Agência Europeia do Medicamento. E, Eureka, lembrou-se rapidamente de mandar para lá a nossa autoridade nacional, como se fosse a mesma coisa. Não foi um processo feito à pressa. Foi uma coisa de que se deve ter lembrado enquanto se barbeava e pegava no telefone para ligar a Rui Moreira. Meteu depois o ministro ao barulho. Fez promessas várias. Argumentou que era o princípio da descentralização, quando tudo não passava de mais uma deslocalização (como a de muitas de empresas que já criticou). E acabou agora a recuar em toda a linha e a ter de admitir que o processo foi mal conduzido. Desonrando as suas próprias palavras.

Agora foram os taxistas. Para os desmobilizar após uma semana estacionados em plena Avenida de Liberdade, deu-lhes a entender que as autarquias iam ter mais “poder regulatório” sobre plataformas como a Uber. Ou seja, mandou-os para aquele saco escuro da descentralização onde estão todos os temas que são para resolver quando e se der jeito. É como deitar palavras ao vento.

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