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Confesso que, até às comemorações da revolução de 1974 que tiveram lugar este ano, nunca me tinha apercebido da enorme similaridade entre o 25 de Abril e o 25 de Dezembro. A diferença entre os dois eventos é mesmo muito subtil. Se, por um lado, o Natal é quando um homem quiser, por outro, depois da polémica em torno da presença da Iniciativa Liberal no desfile na Avenida da Liberdade, pelos vistos o 25 de Abril é onde um qualquer homem novo, daqueles que o Che Guevara tinha imensa vontade de criar, quiser.

Ou pelo menos era, que a Iniciativa Liberal lá acabou por também desfilar na Avenida da Liberdade, apesar da comissão promotora das festividades do 25 de Abril não ter convidado o partido para o desfile oficial. Disse a tal comissão que a participação da IL não era possível devido à “situação de excepcionalidade e de limitações relacionadas com a saúde pública que vivemos”. Houve quem se indignasse com esta justificação, referindo que a COVID era uma péssima desculpa, para mais tratando-se de um evento ao ar livre. Só que a dita comissão não estava sequer a pensar no coronavírus. Nada disso. Quando a comissão referiu “saúde pública” tinha em mente, de facto, uma questão sanitária, mas era apenas o nojo que lhe mete qualquer agremiação política à direita do Partido Socialista. Não era a COVID. Era só o asco.

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